Edital de Chamada para o cargo de Secretaria

CAM00051

Reunião no Quilombo de Providência, município de Salvaterra

 EDITAL PARA SELEÇÃO DE PESSOA FÍSICA PARA CARGO DE SECRETÁRIO (A) EXECUTIVO (A).

A Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Para (MALUNGU). Entidade privada sem fins lucrativos, CNPJ nº 06.968.130/0001-07, torna pública, para conhecimento dos interessados, que está em processo de seleção para contratação de pessoa física para o cargo de Secretário (a) Executivo (a).

ATIVIDADES E TAREFAS QUE COMPÕEM A FUNÇÃO:

  • Formular rotinas administrativas para melhor execução dos projetos e da instituição, incluindo: digitar ofícios, cartas, relatórios, atas de reunião, preparar planilhas (em excel) e outros documentos financeiros;
  • Auxiliar na organização do dia – a – dia da instituição: na abertura e fechamento do escritório, na recepção e atendimentos dos Quilombolas e não Quilombolas, na manutenção da organização do escritório, na gerencia de manutenção (limpeza) da estrutura institucional e de equipamentos, na realização de serviços de compra de material de escritório, consumo e itens de logística para eventos realizados pela Malungu.

HABILIDADES EXIGIDAS

  • Boa habilidade de comunicação escrita e oral e para uso de computadores;
  • Boa habilidade em resolução de problemas, planejamento e organização;
  • Capacidade de trabalhar em equipe, priorizar tarefas e honrar compromissos.
  • Boa habilidade em atendimento ao publico.

CRITÉRIOS

  • Ser quilombola e ter vinculo com a comunidade, preferencialmente experiência comprovada com comunidades remanescentes de quilombos/ movimento quilombola;
  • Aptidão para desenvolvimento de atividades relacionadas à área administrativa;
  • Facilidade de comunicação;
  • Capacidade de relacionamento e trabalho em Equipe.

 

O CARGO, A ESCOLARIDADE/PRÉ-REQUISITOS E RETIRADA MÊS PARA ASSUMIR A FUNÇÃO.

PARA A ENTREGA DE CURRICULOS

Os currículos a função deverão ser encaminhado contendo dados pessoais, endereço completo, telefone, e-mail pessoal, experiências e demais informações até o dia 01 de fevereiro de 2016:

  1. Para a sede da MALUNGU :

Expediente: segunda-feira a sexta – feira.

Horário: 9:00h às 12:00h e de 14:00h e 17:00h.

Endereço: Rua Bernal do couto, 1329 Bairro: Umarizal Belém – PA.

  1. no formato digital, para o endereço eletrônico malungu.pa@hotmail.com Os candidatos devem solicitar à confirmação de recebimento do mesmo. Se o candidato/a não receber a confirmação do mesmo até o prazo final de entrega da proposta, é porque a Malungu não recebeu o correio eletrônico.

Belém, 18 de janeiro de 2016.

 

Fórum Internacional AWID recebe, até 8/2, inscrições gratuitas de ativistas do Brasil

awid

Fórum AWID

Encontro tem como tema central: “Futuros feministas: Consturindo poder coletivo em prol dos direitos e da justiça”. São aguardadas 2.000 participantes oriundas e orieundos de uma ampla diversidade de movimentos: direitos das mulheres e movimentos feministas, movimentos pela paz, justiça econômica, direitos ambientais e direitos humanos, entre outros

 

Está aberta a seleção para isenção da taxa de inscrição no Fórum Internacional AWID. A organização possibilitará a inscrição gratuita de 200 brasileiras e brasileiros ativistas, movimentos e organizações do Brasil no evento que ocorrerá entre 5 a 8 de maio de 2016, em Sauípe. O prazo de envio é até o dia 8 de fevereiro.

O Fórum Internacional AWID faz parte de um processo político para romper com as opressões e promover visões compartilhadas para um mundo mais justo. Para colaborar com a organização do encontro, estão estruturados os seguintes núcleos: Fórum Feminismos Negros, Núcleo do Ativismo Feminista Jovem, Núcleo de Prote;áo Integral para Mulheres Defensoras e Intercâmbio Feminista via Internet.

O Fórum tem como objetivo celebrar as conquistas dos últimos 20 anos alcançadas por diversos movimentos sociais e analisar criticamente os aprendizados que possam ser levados adiante, avaliar a realidade atual para identificar as oportunidades e ameaças no que tange à promoção dos direitos das mulheres e de outros grupos oprimidos, buscar estratégias para fortalecer a solidariedade e o poder coletivo entre os diversos movimentos, além de inspirar, energizar e renovar a força e o propósito de empoderamento das mulheres.

São aguardadas 2.000 participantes oriundas e orieundos de uma ampla diversidade de movimentos e setores para construir estratégias coletivamente em prol de futuros feministas: movimentos pelos direitos das mulheres e movimentos feministas (inclusive dando atenção especial a ativistas brasileiras e brasileiros pelos direitos das mulheres) a movimentos pela paz, justiça econômica, direitos ambientais e direitos humanos, entre outros.

Comunidades tradicionalmente sub-representadas ou marginalizadas terão uma forte presença no Fórum, tais como: ativistas feministas jovens; mulheres negras e afrodescendentes; mulheres indígenas; trabalhadoras do sexo; mulheres com deficiência; ativistas trans e ativistas migrantes.

 

Assessoria de Comunicação
ONU Mulheres

Casa das Nações Unidas no Brasil – Complexo Sergio Vieira de Mello  | Módulo II – Prédio Lélia Gonzalez
Setor de Embaixadas Norte, Quadra 802
Conjunto C, Lote 17 | CEP: 70800-400
| Brasília – DF

Após quase 70 anos de ocupação, comunidades quilombolas têm territórios legalizados no nordeste paraense

Dentro da terra quilombola chamada de Castanhalzinho, à beira do igarapé Gipuuba, 160 famílias remanescentes quilombolas receberam, no final da manhã desta sexta-feira, 4, o título coletivo dos territórios pertencentes ao município de Garrafão do Norte, microrregião do Guamá, no nordeste paraense. Os quilombos Cutuvelo e Castanhalzinho.

Para as irmãs, dona Clara Damasceno, 73, e Francisca Damasceno, 82, primeiras moradoras do quilombo de Castanhalzinho, não houve como não se emocionar ao ver a entrega do título de suas terras coletivas.

Dona Clara e dona Francisca assistindo entrega de títulos de suas terras quilombolas

A família de dona Clara chegou à terra de Castanhalzinho quando ela ainda tinha 27 anos.  Hoje ela conduziu a irmã Francisca, já com dificuldade de caminhar, para prestigiarem, juntas, o evento.

Os familiares das duas irmãs, remanescentes de outros quilombos, encontraram  possibilidades de produzir feijão, cará e mandioca no local.  Assim como colher frutos nativos e caçar na floresta que ainda era cheia de castanhais. E, então, permaneceram na terra que estava desocupada até a década de 50.

O governador Simão Jatene, que assinou na presença das comunidades Cutuvelo e Castanhalzinho os documentos de propriedade coletiva, depois de se mostrar extasiado por realizar uma entrega de títulos em um território visivelmente sustentável e com comunidade interagindo com natureza exuberante, reconheceu a luta dos moradores da região, como dona Clara e dona Francisca, que só viveram na terra quilombola para tirar dela o próprio sustento.

A comunidade e políticos locais presentes na cerimônia deixaram claro que comemorar um título de terra é reconhecer, nesse momento,  a luta dos negros da região no dia a dia em que eles sobreviveram  muitas vezes até isolados, e mesmo com as barreiras criadas por agricultores de mais posses que  foram tomando conta de parte do território inicialmente usado somente pelos quilombolas da região.

Lideranças quilombolas recebendo o título coletivo das Comunidades de Castanhalzinho e Cutuvelo

Lideranças quilombolas recebendo o título coletivo das Comunidades de Castanhalzinho e Cutuvelo

         

 Aumento da produção

Pensando em expansão da produção da comunidade de Castanhalzinho, o deputado estadual, também de origem na microrregião do Guamá, Antonio Tonheiro,  presente no evento, chamou a atenção da comunidade quilombola para a possibilidade de se aumentar a produção no quilombo Castanhalzinho,  agora, se eles receberem incentivo também do Governo Estadual para mecanizar parte do processo  da produção local.

Para o deputado Tonheiro, os quilombolas precisam ainda dessas condições  técnicas para aumentar a produção agrícola que é de interesse do Estado, que pode gerar mais renda  para os moradores do território, e isso ser fator que as gerações de quilombolas que estão sendo formadas atualmente  possam aproveitar para preferir , então, ficar no território, e não precisar migrar em busca de fontes de renda, como têm acontecido ao longo dos últimos anos.

O próprio deputado Tonheiro lembrou que a estrada que é necessária para escoar a produção, já tem. E foi até recém  restaurada e circunda a comunidade. Mas ressaltou que as comunidades quilombolas ainda merecem uma política conjunta que também propicie esse aumento de produção e renda local dos quilombos.

           

Educação quilombola, uma continuação da luta nos quilombos após a titulação

            Com uma conquista central  histórica do território quilombola alcançada  nas comunidades de Castanhalzinho e Cutuvelo, os quilombolas da região, que demoraram quase 70 anos para terem a posse legal dessas terras,  continuaram afirmando no evento que já se fazem necessários recursos também de outras ordens para que as comunidades permaneçam organizadas e vivendo sua cultura.

Além do deputado Tonheiro, que reivindicou do Governo do Estado medidas práticas para possibilitar mais condições para as gerações dos filhos dos quilombolas não precisarem sair da terra para conseguir viver com qualidade, outra política de alternativa para que continue a comemoração  da titulação e reconhecimento da luta das gerações de quilombolas que conseguiram esta vitória histórica, é a educação continuada sobre temas da cultura quilombola para os membros dessas comunidades que receberam os títulos.

Quem refletiu sobre isso no encontro de entrega dos títulos quilombolas de Cutuvelo e de Castanhalzinho foi a professora Maria Nunes de Oliveira, 49 anos, da comunidade de Cutuvelo. Ela dá aulas para crianças e adolescentes até o 5º ano dentro de sua comunidade quilombola, e foi receber o título de terra quilombola Cutuvelo, junto às outras famílias de seu quilombo.

Professora Maria Oliveira, ao lado do igarapé Gipuuba

Professora Maria Oliveira, ao lado do igarapé Gipuuba

Dona Maria ministra aulas sobre origem dos quilombos e valorização dos direitos quilombolas                                   para adolescentes de 12 a 14 anos que moram no seu quilombo. Mas esclareceu que, esse tipo de ensino que faz com que o jovem não despreze os costumes de seu próprio povo vai se perdendo quando esse jovem tem que sair da comunidade para continuar os estudos, e não recebe orientação sobre cultura quilombola dentro dos currículos escolares de ensino das regiões afastadas das comunidades de origem.

Ainda no evento de entrega dos títulos para as comunidades de Castanhalzinho e Cutuvelo, em entrevista à Coordenação das Associações de Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará,  a Malungu, o Governador Simão Jatene se disse instigado pelos representantes quilombolas para começar a pensar de maneira mais forte na pactuação de estratégias de educação continuada sobre cultura quilombola para os jovens que precisam se afastar, à partir dos 15 anos, de seus quilombos, para frequentar outras escolas.

Ao ser questionado sobre o assunto, o Governador deixou claro que está aberto para traçar,  junto com organizações que melhor respeitem a questão das origens (quilombolas) as ações que o governo precisa garantir nesse setor, e assim, permitir avanços, as alternativas cabíveis para os filhos das comunidades quilombolas poderem escolher ficar nelas, mesmo que precisem estudar fora. Mas construindo um espaço de troca educacional em que não sejam formados somente acadêmicos que não escolham trabalhar à serviço de suas próprias comunidades de origem.

O governador cogitou a possibilidade de usar experiências bem sucedidas em educação à distância para cumprir a necessidade do currículo de educação que os quilombolas deixaram claro que é importante para o futuro produtivo das terras coletivas tituladas no evento em Castanhalzinho, e nas demais terras de quilombos que ainda precisam ser tituladas no Pará.

12 propriedades coletivas foram escolhidas como prioridade de titulação pelo Governo do Estado para 2015.  Cutuvelo e Castanhalzinho foram as primeiras entregues até agora, e o 3º título de terra quilombola deve ser entregue no final de setembro para uma comunidade do município de Moju. Mas, ainda assim, a Malungu reconheceu no evento que, o Pará é o estado que mais regularizou terras de quilombos pelo país.

Falando ao microfone, José Galiza, coordenador da Malungu,  comemora entrega de títulos dos quilombos Cutuvelo e Castanhalzinho

Falando ao microfone, José Galiza, coordenador da Malungu, comemora entrega de títulos dos quilombos Cutuvelo e Castanhalzinho

Para a quilombola, Analu Batista, 38, estudante de direito, liderança da região do Marajó, convidada pela Malungu para prestigiar o momento histórico das comunidades de Cutuvelo e Castanhalzinho, é preciso aplaudir a luta das comunidades que vem conseguindo a titularidade de suas terras, mas já é preciso pensar em conjunto a isso um plano de educação continuada para quilombolas, porque não se pode deixar as ações de entrega de títulos e lançamento de alternativas educacionais como ações muito distantes umas das outras. Para Analu, atualmente, essas ações começam a ser cada vez mais vistas como necessárias para o futuro, valorizado, nessas comunidades.

    

 

 

 

Títulos de comunidades quilombolas são entregues em Garrafão do Norte

Entrega será feita pelo Governador Simão Jatene e é oportunidade para discutir a garantia efetiva dos direitos quilombolas

Mapa de Garrafão do Norte, município em que se localizam as comunidades tituladas

Mapa de Garrafão do Norte, município em que se localizam as comunidades tituladas

As comunidades quilombolas de Castanhalzinho e de Cutuvelo, no município de Garrafão do Norte, recebem na manhã desta sexta-feira os títulos definitivos emitidos pelo Instituto de Terras do Pará. Cerca de 150 famílias em mais de 1,8mil hectares serão beneficiadas com a titulação, que inclui a comunidade Sítio Bosque, em Moju.

Em conversa realizada entre Iterpa e Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (MALUNGU), foi prometida a análise em prioridade de 37 processos em tramitação no órgão.

A entrega dos títulos será feita pelo Governador Simão Jatene e contará com a participação dos representantes da Malungu, José Carlos Galiza, Jaqueline Alcântara, Érica Monteiro, Salomão Santos e Aurélio Borges, além de Analu Batista, da comunidade de Gurupá, em Cachoeira do Arari, Marajó. Maria Albenize Malcher vai como representante do Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa).

A titulação dessas comunidades é um avanço importante. Mas é preciso proteção aos direitos garantidos pelo Estado. A grave crise que assola os quilombolas da comunidade de Igarapé Preto, entre Baião e Oeiras do Pará, por conta da morte da quilombola Maria Madalena Lopes, seguida da morte de três madeireiros considerados suspeitos, é um exemplo da necessária e constante observação desse direito. A comunidade de Igarapé Preto é titulada, mas não georreferenciada, o que tem permitido o avanço de madeireiros na área de abrangência da comunidade.